Jornal Pires Rural - Há 13 anos revelando a agricultura familiar

domingo, 1 de novembro de 2015

A Criação de Rãs Touro




A rã touro (Rana Catesbiana) é originaria da América do Norte. Chegou ao Brasil por volta de 1950, ficando sem evolução até meados dos anos ´80. Nesse período o Brasil se tornou o pioneiro em criar esses animais em cativeiros. Tendo uma carne leve com sabor próprio contém 7 dos 9 aminoácidos essenciais para o ser humano. O valor de comercialização varia de R$22,00 a R$32,00 o quilo. No verão, cada rã pode variar de 250 a 280 gramas.



Em 1986 Marco Pintaudi começou a sua produção localizada no bairro dos Pires de baixo. Com o Ranário II M viveu o bom período de criação dessas espécies. “De 1986 até 1999, abria-se um ranário por dia. Tinha até uma frase, crie rãs e fique rico. Hoje em dia não se pode dizer mais isto”. Em seu ranário a estrutura montada tem suporte de uma média empresa. Envolve todo o processo que, basicamente são o matrizário onde as rãs fazem sua reprodução, tanques para girinos, com capacidade para 20 mil deles, e outras baias para a engorda, incluindo um abatedouro. Dominando técnicas de criação de peixe e conhecimento em analise de água, Marco é engenheiro agrônomo que na época boa vivia do ranário e de seminários para iniciantes. “O bom período foi quando tinha diversos ranários espalhados com técnicos pesquisando rações, tipos de criação, desenvolvimento de reprodução, estudando doenças. Infelizmente essas pesquisas se estagnaram. Aqui no meu ranário é um hibrido do que fui vendo por aí e deu certo. Fomos nos adaptando através da observação. Apesar de existir modelos de ranários desenvolvidos”, cita Marco. Fator principal para o sucesso do negocio é água, sua quantidade e qualidade também influem, mas sua falta pode inviabilizar a criação.
Tempos atrás houve o aparecimento de diversas associações estaduais sendo a mais importante a Associação Brasileira e Criadores de Rã. O Ranário II M tem seu registro no IBAMA e na Secretaria de Agricultura do Estado.










O ciclo do ranário
Tudo começa no matrizário que é um ambiente para reprodução das matrizes com um ano de vida e acima de 300 gramas. No matrizário, as desovas ocorrem pela manhã em pequenos lagos artificiais. Logo após os ovos se transformarem em larvas são transferidas para tanques onde se transformam em girinos. Nesses tanques os girinos permaneceram por cerca de 3 meses sendo tratados diariamente com ração. Na fase que em o girino está com quatro pernas e o rabo é chamado de Imago, onde ele tem que se adaptar de uma vida aquática para a terrestre. A vida de rã é a parte final onde elas ficam abrigadas embaias, sendo mais intensivo os cuidados como o manejo de animais e a limpeza nos tanques. Após cinco meses estarão perto de 250 gramas prontas para o abate. Quando chega o inverno as rãs e os girinos ficam com o mesmo peso e tamanho até o começo da primavera. “Quando comecei a criação de rãs mantinha um minhocario com as vermelha da califórnia e um moscario com caixas de criação de larvas de mosca para alimentar as rãs. Por volta de 1989 inventaram uma espécie de peneira vibratória onde colocamos a ração auxiliando na captura deste alimento pelas rãs” cita Marco.

Mercado
Hoje em dia, segundo Marco, suas vendas são direcionadas aos clientes particulares e cativos. Poucos restaurantes pois Limeira não tem tradição de frutos do mar, peixes e derivados. Peixarias e açougues também estão entre seus clientes. Não existe diferenciação quanto ao sexo na hora da venda da carne. A qualidade e o crescimento é bem similar entre ambos. A rã é uma animal de pele lisa e aparência úmida, tem cinco dedos nas patas e as coxas de traz bem desenvolvidas é onde está a maior parte da carne.
Para quem quiser iniciar sua criação Marco cita que “o mais tranqüilo é começar pela engorda que não exige tanto conhecimento e basicamente é dar comida e manter a higiene. Se escolher pelo ciclo completo é essencial ter água de qualidade, escolher um modelo de instalação para a criação. É uma criação que requer muita mão-de-obra pois é preciso acordar cedo e mexer com água, passando a manhã toda no trato dos animais. O ideal seria a formação de um ciclo mercadológico onde um local faria a reprodução, outro cuidaria dos girinos, outro na engorda e uma equipe só para abate e comercialização, pois quem cria dificilmente tem tempo e tino para vendas”, conclui Marco com 20 anos de experiente como criador de rãs touro. 



Matéria publicada originalmente na edição 47 Jornal Pires Rural, 31/07/2007-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

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